Cada Orixá tem sua saudação, é fato. E, o “Senhor da Terra”, nosso amado Pai Obaluaê, saudamos dizendo Atotô – que significa silêncio.

Claro, silenciamos diante da divina presença deste orixá cheio de mistérios, mas às vezes refletindo sobre as coisas mais simples encontramos as mais belas lições.

Conta uma lenda que Obaluaê era um orixá rejeitado por sua aparência, que se fazia repugnante aos olhos dos outros orixás, devido as chagas que ele exibia em seu corpo.

Ogum, ao saber que Xangô daria uma festa, mas Obaluaê só veria a festa de longe, pela fresta da porta, se compadece dele e lhe cobre com palhas.

Ele entra na festa, e mesmo tendo as chagas cobertas fica afastado, envergonhado.

Iansã se aproxima dele, dança a sua volta causando uma enorme ventania que levanta as palhas. Neste momento, as feridas se transformam e pipocas e enchem o salão.

Por debaixo das palhas, se revela um jovem e belo orixá – Obaluaê!

Quando Obaluaê saiu do salão, naquele dia, ele já não era mais o mesmo – houve uma transmutação, e transmutar é o verbo do Trono Masculino da Evolução, regido por ele.

Ele saiu da condição de doente para sadio, ele passou de um estado para outro.

Obaluaê é o orixá das passagens, seja de um plano para outro, de uma dimensão para a outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa.

Por que ele pede silêncio? Talvez porque seja o silêncio o segredo para que possamos encontrar o caminho que transmutará nossas consciências para níveis superiores de entendimento e conexão com Pai Olorum, nosso Divino Criador.

Como podemos representar uma divindade diante das pessoas, se o barulho da fofoca, do julgamento ou da maledicência nos distrai o tempo todo nos afastando das coisas divinas?

Quantas almas belas são discriminadas dentro dos terreiros e fora deles? Quantas pessoas precisam somente de alguém que veja além, e que sopre em suas feridas do corpo e da alma ventos de amor e tolerância, para que o melhor delas se revele?

Silencie. Ouça seu Cristo interno, seu Ori, sua Centelha. Use as palavras com sabedoria e cuidado, pois elas trazem em si a força do Verbo e podem tanto construir quanto destruir.

Procure no silêncio do seu coração as respostas para todas as suas perguntas, pois elas estão lá.

Silencie e olhe para dentro. Se cubra com suas próprias palhas e permita que um a um, seus medos e traumas, falsos julgamentos, dúvidas e incertezas se transformem em lindas pipocas. E que essas pipocas encham o salão da sua alma.

Obaluaê se resignou diante da sua condição, foi humilde e foi amparado pelo Trono da Lei, por Ogum e Iansã.

Assim como prometeu Jesus, o humilde foi exaltado!

Agindo assim, ele também mostrou que precisamos uns dos outros. Ogum o protegeu com as palhas. Iansã revelou sua beleza e esplendor.

Assim somos nós. Toda alma é divina, toda alma é luz, toda alma reflete o amor e a grandeza do Criador.

E todos nós, seja qual for a raça, gênero, aparência ou condição social precisamos lembrar de quem realmente somos e de onde viemos, para evoluirmos e transmutarmos dentro de nós tudo o que impede que isso aconteça.

Obaluaê ampara nossa evolução. Sairmos dessa encarnação seres humanos melhores do que quando nascemos é nosso objetivo.

Expandir nossas consciências e alcançar um entendimento maior acerca das leis que regem nossas evoluções é a melhor forma de fazer valer a maravilhosa oportunidade de estar aqui, Axé!

Terreiro de Umbanda Pai Oxóssi,
Caboclo 7 Flechas e Mestre Zé Pilintra
Críticas e sugestões:  t.u.paioxossi@hotmail.com
Fone: (011) 96375-7587


Por Mãe Valéria Siqueira

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