Eu sempre digo, e cada vez com mais convicção, que a Umbanda não é para qualquer um…e a cada gira isso se confirma.

A verdade é que a Umbanda supre muitas necessidades das pessoas que nos procuram, pois muitas delas querem apenas atenção, querem ser ouvidas.

Cada uma dessas pessoas tem Orixás a regê-las, guardiões a protegê-las, e é grande responsabilidade orientá-las.

Nem sempre essas pessoas terão o que foram buscar no terreiro, mas certamente terão o que precisam.

Na verdade, muitas delas entregam suas vidas nas mãos das entidades, pois já não sabem o que fazer, em situações diante das quais se sentem impotentes, sem forças para lutar.

É incrível ver como se abandonam no abraço de uma entidade, seja ela qual for, e se renovam nos conselhos que recebem, se fortalecem, se curam.

Eu amo a Umbanda por isso. Respeito todas as religiões, mas isso só a minha Umbanda tem, e nenhuma outra.

A felicidade, para mim, sempre foi um conceito coletivo: ou é para todo mundo, ou não é para ninguém, e essa vontade imensa de melhorar a vida das pessoas me levou a ser “Mãe”, de filhos de outras mães, de avós, de netos, enfim, de todas as pessoas que me escolheram como orientadora em suas jornadas espirituais.

Sabe aquele ditado: Quem meu filho beija, minha boca adoça? Pois bem, penso que se aplica também a Deus, o Grande Pai, e qual a melhor maneira de agradá-lo, a não ser cuidando de seus filhos?

Os terreiros foram criados para isso; ajudar aos espíritos, filhos do Pai, em suas evoluções enquanto encarnados neste planeta.

A Umbanda acolhe quando todos os outros abandonaram, ouve quando todos os outros estão ocupados, estende a mão quando todos os outros julgam.

Tal qual um irmão mais velho que pega o mais novo pela mão em seus primeiros passos, para que ele não caia, não se machuque, nossa família espiritual vem em nosso auxílio, em forma de entidade, para nos esclarecer, resgatar, e ajudar a nos lembrarmos de quem realmente somos.

E de conselho em conselho, passo a passo, essas entidades alcançam cada vez mais luz, cuidando dos filhos de Deus.

É uma pena que muitos não saibam disso, e nem queiram saber.

Poucos se preocupam em ver além das formas, e procuram entender quem realmente são esses seres, e o quanto nos amam.

Poucos são os que sabem quão grande é a oportunidade de estar de frente com um guia, de poder abraçá-lo, e aprender com quem encontrou a luz, e mesmo assim volta quantas vezes forem necessárias, para ajudar os que ainda engatinham na espiritualidade.

A Umbanda é, por excelência, uma escola evolutiva, onde todos, sem exceção, aprendem.

E a principal disciplina desta grande escola é o amor. É o amor que move a Umbanda, desde o embaixo até o alto.

Ver o brilho da fé nos olhos das pessoas, ver a assistência chorar na passagem de Mãe Oxum, vibrar na passagem de Iansã, sorrir na passagem nos erês, me faz lembrar que sou filha Daquele que conhece cada estrela pelo nome.

Me faz sentir que, no momento em que chamo um Orixá num filho, sou Divina. Que quando um Orixá me abraça, tenho tudo o que eu preciso.

Quando um médium se entrega como instrumento de um desses filhos de Deus, com essa divina missão, se torna divino também. Não há como ser mais útil diante de Deus. Não há amor maior. Não há nada nesse mundo que gere mais gratidão.

Quando entendemos isso, nada mais é igual. Nenhuma gira é comum, o olhar passa a ser de ternura, e passamos a querer para o próximo todo o bem que queremos para nós mesmos.

Aí você decide jamais desistir de alguém, porque milagres acontecem em todas as giras, ainda que nem todos acreditem ou possam ver.

E você sorri, porque lembra do quanto é abençoado, por ser umbandista e livre, privilégio negado a muitos, e agradece, simplesmente.

Axé!!!

Terreiro de Umbanda
Pai Oxóssi, Caboclo 7 Flechas
e Mestre Zé Pilintra
Críticas e sugestões:
t.u.paioxossi@hotmail.com
Fone: (011) 96375-7587

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