Nanã Buruquê é um orixá muito antigo e está associado às águas paradas, à lama dos pântanos, ao lodo do fundo dos rios e mares. Na África, Nanã se refere às pessoas idosas e respeitáveis “mãe”.

No Brasil, Mãe Nanã é sempre lembrada como a “orixá Vovó”; realmente ela representa o arquétipo ancião, sendo representada como uma senhora idosa, que quando se manifesta em seus iniciados, possui um andar lento, curvado pra frente. É sincretizada com Sant’Ana, a avó de Jesus Cristo.

Estudando mais profundamente seus mistérios, ficamos maravilhados com a extensão da sua atuação sobre nós seres humanos, e com a importância que Nanã tem em nossas vidas e no nosso objetivo que nada mais é do que a evolução.

Nós poderíamos ter optado por evoluir em outras dimensões, mas escolhemos vivenciar a dualidade para despertar nossas faculdades com maior rapidez, e desta forma acelerar a nossa evolução.

Pai Olorum se mostra tão perfeito, que cada divindade tem seu lugar e sua função na criação, e tudo é arquitetado para que cada peça desta divina engrenagem se encaixe  e funcione perfeitamente.

Um dos aspectos mais interessantes da atuação de Mãe Nanã é sua atuação no processo de reencarnação. É ela que decanta todas as emoções do espírito que irá reencarnar, fazendo com que ele esqueça tudo o que viveu e possa começar uma nova passagem pelo planeta Terra sem os tormentos que certamente trariam consigo: culpa, medo, revolta, ódio, etc.

Neste caso, o esquecimento é um presente, pois temos a oportunidade de começar do zero e fazer de maneira diferente tudo aquilo que fizemos errado na vida anterior, recomeçando, inclusive, de onde paramos em nossa evolução.

Nanã é um orixá bi-elemental ou seja, rege sobre dois elementos: terra e água.

Sua regência sobre o elemento terra denota sua estreita ligação com a Mãe Terra. Isto me lembra a frase bíblica: “Tu és pó, e ao pó voltarás”…

Nanã realmente recebe em seu ventre terreno os corpos dos filhos que desencarnam, e que voltando ao pó se fundem novamente ao “barro” primordial.

Sua regência sobre o elemento água decanta todos os negativismos emocionais que possam atrasar nossa evolução, tornando-nos mais racionais.

Ela está presente nos ciclos mais importantes das nossas vidas. No fim do ciclo da fertilidade feminina, por exemplo, onde se encerra a fase jovem da mulher, mas se inicia a fase “anciã”, respeitada pelo conhecimento que adquiriu ao longo de sua vida.

Nada pode nos levar mais longe do que a sabedoria. Podemos ter experiência, poder, dinheiro, mas pra que serve tudo isso diante do que não se pode medir em valores?

Todos deveríamos alcançar a maturidade em condições melhores do que viemos. E o que vemos? – Muitos idosos amargos, tristes, sem perspectiva de vida ou além-vida, apáticos e sem esperança.

Nunca foi esse o plano. O plano é viver, aprender, não necessariamente pela dor. Tirar de cada experiência uma lição. Passar os ensinamentos que aprendeu aos outros.

Decantar dos registros de nossas almas toda a negatividade, dúvidas, incertezas, tudo aquilo que nos impede de evoluir, de crescer como seres divinos que somos.

Nanã tem este mistério. Falem com ela. Peçam e serão atendidos. Acendam uma vela lilás. Ao lado, um pequeno vaso de crisântemo em tons de lilás a violeta e um copo com água.

Clamem por transmutação. Transmutar é mudar pra melhor. É ressignificar sentimentos e crenças limitantes que te impedem de sair do estado atual para um nível de consciência superior.

Ela ocupa o polo feminino do Trono da Evolução. Este é o objetivo de estarmos aqui.

A boa notícia é que nunca é tarde, Axé!!!

Terreiro de Umbanda Pai Oxóssi,
Caboclo 7 Flechas e Mestre Zé Pilintra
Críticas e sugestões:  t.u.paioxossi@hotmail.com
Fone: (011) 96375-7587


Por Mãe Valéria Siqueira

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